A comunicação que destrói

Agosto 31st, 2010 | 1 | Sem Comentários »

É notório em pleno século XXI o poder que os vários meios de comunicação desempenham em nossas vida, não apenas os de comunicação social e generalizada – também os de comunicação pessoal (cada vez menos privados).

Se por um lado a comunicação é uma peça-chave no crescimento e desenvolvimento social, por outro é muitas vezes entrave devido ao conteúdo (e não à forma).

Repare-se que em Portugal não ardia tanta floresta há anos (ou andava outro fumo no ar), fruto de facto de um Verão quente na Penísula Ibérica (curiosamente não me chegaram dados de incêndios em terras de nuestros hermanos), fruto de um Verão marcado pela crise económica e financeira, pelos factores que desnudam os problemas da sociedade e pela ausência de polémicas alternativas.

Alguém se lembra das taxas de incêndios dos últimos anos? Seguramente que se lembrarão dos escândalos de abusos sexuais, crimes de corrupção desportiva e mais alguns que estando mediatizados encheram-nos os meios de comunicação.

Além da lógica de comunicação ao estilo relatório, desenvolveu-se também a lógica dos mobilizadores de opiniões e sensibilidades, ou anglicamente e “chicmente” falando Opinion Makers (na sua tradução directa fazedores de opinião).

Comunicar a desgraça é o prato forte do dia, promover o medo, a desconfiança e reacções de adversidade tem sido a tónica geralmente empregue.

Haverá alguma reportagem consciente dentro de dias junto das áreas ardidas? Parece-me difícil, o tempo de antena irá para os inquéritos parlamentares de incêndios (à procura de um culpado), para as associações de agricultores que quererão expandir os terrenos agrículas e dedicados ao pastoreio do seu gado – em detrimento da manutenção das áreas florestais.

É um caminho sem dúvida, comunicado para as massas e para os indivíduos. Quantas conversas de café não especulam razões para os incêndios, quantas coversas de café não falam do tiroteio entre Etnias de um mesmo bairro?

A ver vamos até onde se falará das desgraças, mas cá estaremos para dar conta.

Entretanto o apelo é por uma comumicação positiva, mobilizadora e consciente…senhores produtores de opiniões por favor entreguem-nos uma cana e ensinem-nos a pescar – há mil e uma formas de se escamar um peixe.

No centenário quantos (candidatos a) presidentes terá a República?

Agosto 27th, 2010 | 1 | Sem Comentários »

A vida pública não para, mal de nós se fossemos parar algum dia que fosse…já nos basta o pouco produtivo mês de Agosto e o período entre Natal e Ano Novo.

Bem a reentré política deste ano está um pouco menos mediática do que as habituais festas, devem estar todos a conter-se por causa da crise, será que vão ser festas modestas e ponderadas? Haverão almoços grátis para todos, ou escolhem apenas a fina nata?

Mas o que interesse é que a figura do Presidente da República está no momento envolto num Sebastianismo dos tempos modernos, como quem diz envolto em brumas da memória e da esperança.

Enquanto Aníbal Cavaco Silva entra na recta final está aberta a época de “Caça ao Presidente”. (E pela ordem pela qual tomei conhecimento temos)

O primeiro a colocar a cabeça de fora e declarar-se candidato foi Fernando Nobre, o médico-presidente da AMI que se lançou numa candidatura afirmada como Social e proveniente da sociedade.

O Segundo a entrar nesta época de caça foi Manuel Alegre, o poeta-político descende de uma família Republicana e tendo-se afirmado nos últimos tempos como um “Socialista à antiga”. Embora tenha tido episódios de ruptura com a direcção de Sócrates conseguiu não só angariar o apoio do Partido Socialista, mas igualmente do Bloco de Esquerda (embora este último pareça ter comprado uma guerra interna).

Em terceiro na partida para Belém encontra-se Defensor Moura, político do Partido Socialista que se afirma como independente numa candidatura complementar à de Alegre. Não posso deixar de reparar que Viana do Castelo e o Norte Socialista apoiam este candidato.

Mais recentemente surge o electricistam oriundo da Comissão Central do Partido Comunista Português e um forte homem de bastidores de Jerónimo de Sousa, surge recentemente Francisco Lopes. Afirma-se aqui uma candidatura de futuro, dada a tradição comunista do candidato presidencial vir a substituir o líder num futuro próximo.

No entanto não posso deixar de referir que também descobri o Nacionalista José Pinto-Coelho como candidato do Partido Nacional Renovador a Belém, mais uma vez o discurso do jus-sanguinis e da supremacia nacional voltam a estar em discussão com este candidato.

Aguarda-se ainda alguma movimentação, só não se sabe bem quando, da direita e do centro-direita.

Especulam-se alguns nomes para representar a actual oposição parlamentar e amigos de coligaçao em diversas situações. Alguns avançam com o nome de Aníbal Cavaco Silva o 19º e actual Presidente da República para uma recandidatura, outros nomes têm surgido deste quadrante tendo alguns já rejeitado a ideia como Pedro Santana Lopes e Marcelo Rebelo de Sousa.

Havendo uma decisão de Cavaco Silva negativa a uma tentativa de re-eleição quem avançará?

Haverá espaço para um apoio dos Democratas Cristãos?

Para já o jogo encerra-se nas certezas acima apresentadas e nas especulações do Partido Social Democrata e do Partido Popular.

Uma coisa é certa o próximo Presidente da República lidará com um país (espero que) a recuperar da Crise Económica e Financeira, a necessitar de um líder carismática capaz de promover a união e um gestor das vontades, disponibilidades e talentos – ou seja que consiga verdadeiramente ser suprapartidário. Será a condição de entrada semelhante à da saída face a uma revisão constitucional que se afigura no prelo?

Aguardemos para ver o Sebastião que sairá das Brumas…

O (eterno) risco de estar vivo

Agosto 24th, 2010 | 1 | Sem Comentários »

No momento estou a concluir uma leitura que me tem dado bastante que reflectir, quem me conhece sabe o quanto o Risco (avaliação do) está presente na minha vida ligada à prevenção de acidentes e doenças profissionais.

Mas quem conhece também os meus interesses sabe que um dos temas que tenho acompanhado é a Segurança Infantil, principalmente como ajudar as crianças e jovens a crescerem numa sociedade progressivamente censuradora do perigo e do risco. Cada vez mais somos uma sociedade sem o livre arbítrio, imperando a desconfiança e o medo de tudo e de todos, regada com uma boa dose de desconhecimento generalizado e afiançada num falso sentimento de segurança.

De facto ando a ler o livro “Sem Medo: Crescer numa sociedade com aversão ao risco” (2010) do autor Tim Gill, que faz uma passagem documentada pelos principais riscos que ajudaram as nossas gerações a crescer durante a infância e adolescencia e hoje é negada aos futuros adultos.

Quem não se lembra de cair, esfolar-se, de sentir uma chuvada e continuar a jogar à bola…quem não se lembra de inúmeros hábitos, rituais e coisas que estão progressivamente devotados à extinção?

Prometo voltar a esta noção, até porque algum trabalho está na forja e em breve estará pronto para partilha.

Deixem postas, ideias, reflexões e afins…este tema voltará já.

PHA

O PEC Pascoal…

Abril 3rd, 2010 | 1 | Sem Comentários »

Curioso o tempo que vivemos, em plena Quaresma para nós Cristãos fazemos o caminho em direcção ao Cristo Ressuscitado. Palavras chave são o sacrifício, a entrega ao próximo, a esperança e a caridade.

É no exemplo do Cristo que se entrega pelos irmãos, que se sujeita a carregar uma Cruz que acreditamos que aquele que ontem à noite foi colocado no Sepulcro – amanhã regressará à vida, sendo por isso tempo de cantar Aleluias!

É curioso que com a entrada de Portugal nos PIIGS entra também todo o país numa Quaresma forçada, principalmente para um estado Laico poderá ser considerado um retrocesso (ou não?).

Vamos ver onde iremos jejuar, esperando ver o Cristo Ressuscitado.

Como quem corta cebola…

Março 6th, 2010 | 1 | Sem Comentários »

Hoje tive a oportunidade de mais uma vez sentir que andava prestes a cortar a cebola…a picar bem picadinho!

Resolvi levar para a sede a bandeirola da Patrulha Coati, se a memória não me falha ela estava em minha casa desde 94 ou 95.

Achei que era já tempo de dar-lhe uso novamente, como fui guia da Patrulha Coati e ao saber que tinhamos uma Patrulha Coati no 848, a dos guias dos exploradores, resolvi entregar a quem a possa usar.

Espero que vocês, guias das Patrulha Cão, Leão e Castos lhe dêem no mínimo tantas aventuras como teve na minha vara.

Aos exploradores do Grupo 97 – Boa-Caça!

Esquilo Persistente

Orgulho de ver acontecer de novo!

Março 1st, 2010 | 1 | Sem Comentários »

Hoje foi dia de festa no AGR 848!

6 Lobitos, 3 Exploradores, 4 Pioneiro, 1 caminheira e 1 dirigente…

São simplesmente 15 novas pegadas, rumo a um futuro que vamos desenhando em cada dia.

Acreditem que marcou!

Foi bom sentir outra vez esta sensação estranha, melhor melhor só se fizer um raid á chuva com a mochila ás costas!

Boa-caça!

Balanço Domingueiro…

Janeiro 25th, 2010 | 1 | Sem Comentários »

Pois é tempo de fazer contas à vida, perceber que já se passou mais tempo e que algumas coisas mudaram.

Hoje há que fugir ao comentário da sociedade partidária, esquecendo também um pouco a política. Tempo mais de reflectir processos, tempos e coisas concretas – nada dos habituais “suponhamos” tão característicos da política -.

Se por um lado termina quase um Domingo, estamos prestes a começar uma semana de trabalho dura, sobrelotada, mas que dá que pensar.

Ainda há pouco entrou por aqui a minha mãe dizendo “Pedro, outro sismo no Haiti – desta vez foi 5″

Que aperto, passadas duas semanas, a esperança estava já em começar a estabilizar e retomar a vida e pumba lá se mexe o chão que estava debaixo dos nossos pés.

Tenho pena de não poder estar mais próximo, capaz de ajudar de facto, embora saiba que indirectamente consigo ir fazendo algumas coisinhas além das moedas dispendidas.

Só tenho receio é de ver o chão tremer tantas vezes, em pontos distintos, parece que a Pangeia de facto ainda não  acabou ou porque é a vontade da mudança.

Sair da crise através da catástrofe pode ser um bom mote para mudarmos de facto algumas coisas, algumas ideias e projectarmos uma acção consciente para um futuro melhor.

Era para ser só mais um Domingo, mas há Domingos que são de maior mudança que outros…este pelos vistos estava destinado a isso.

Resta ver a semana que começa hoje!

Mensagem de Roma

Janeiro 22nd, 2010 | 1 | 1 Comentário »

“O Orçamento Nacional deve ser equilibrado.

As dívidas públicas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades moderada e controlada. Os pagamentos a governos devem ser reduzidos, se a Nação não quiser ir à falência. As pessoas devem novamente aprender a trabalhar , em vez de viver por conta da pública.”

Marcus Tullius, 55 a.C.

Curiosamente parece que o problema de hoje revela que a história da humanidade não é mais do que um ciclo de acontecimentos…

Orçamento de Estado 2010 – Ou mais um orçamento participativo

Janeiro 21st, 2010 | 1 | Sem Comentários »

Começou já o debate do Orçamento de Estado, aparentemente focado nas temáticas incortonáveis da redução do défice nacional, produção e investimento português. Seja por força do populismo ou pela situação de crise que vai passando pela sociedade portuguesa.
Incontornável pela situação de um governo minoritário, apostado em criar condições de governabilidade estável através de algumas cedências com os demais parceiros parlamentares (restando saber até que ponto serão estas cedências pilares estruturais).
Os primeiros a entrar na corrida foram curiosamente a oposição directa, sendo de acordo com os dados avançados pela comunicação social combinado à partida um encontro ao melhor estilo AD entre PSD e PS.

José Sócrates a precisar do apoio do maior partido da oposição, comprovando que num tempo de instabilidade muitas vezes a solução poderá vir precisamente de onde menos esperamos. Mas não podemos esquecer que Manuela poderá estar de saída.

É certo que os professor se auto-excluiu da corrida na sucessão de Ferreira Leite, surgindo a “Jotaliade” (leia-se Jovialidade) de Coelho já na segunda tentativa de escalar a máquina daquele que neste momento é o maior partido da oposição (o que terá como objectivo desafiar a liderança de Sócrates, colocar em causa as suas opções estratégicas e/ ou a fazer as principais cedências em troca da viabilização orçamental).
Ainda se perfilam os líderes parlamentares do PSD, Rangel que divide o seu tempo entre Estrasburgo, Bruxelas e Potugal e Aguiar-Branco que gere a bancada e as negociações legislativas na Capital Alfacinha.
Não posso pois deixar de observar a calma e tenacidade que apresenta Santa Lopes, feito Dom Sebastião e recentemente condecorado por Cavaco Silva pelos feitos governativos (ou efeitos do protocolo de estado com cerca de 5 anos de atraso), indiciando um efeito semelhante ao característico Sebastianismo Português.

Curioso é que nas negociações orçamentais os democratas-cristãos tenham conseguido afirmar assertivamente as características fundamentais e indispensáveis para darem o seu apoio a qualquer proposta Orçamental.

É verdade que com tanta negociação preve-se um primeiro trimestre confuso no seio da administração pública, seguindo procedimentos correntes de gestão das tesourarias e continuidade dos planos de acção que ainda lhes sobre do ano que deveria ter terminado mais cedo (por força dos processos eleitorais que assolaram o último semestre de 2009).

Mas aquele que pecará por ser um invariál atraso Orçamental, traz  ainda assim um ponto forte em tempos (que se esperam) de esperança na retoma económica – a discussão esclarecida e (esperemos que) construtiva do futuro deste nosso Portugal à Beira-mar plantado.

Resta conhecer o caminho a percorrer, apontando-se algum ainda diálogo à esquerda para não terem de se sujeitar em exclusivo a acordos parlamentares no período pós-orçamental apenas com a direita e o centro-direita. Não esquecendo que os parceiros sociais por força do seu papel serão também preponderantes nestas definições.

Resta-nos ir vendo de que forma poderá ser construída esta anunciada e desejada retoma e a garantia de um futuro melhor.

A Luz ao fundo do túnel, cada vez mais desvanesce…

Janeiro 3rd, 2010 | 2010, Opinião, pedro henrique aparício, politica, sector energético | 2 Comentários »

Pois como costuma ser dito pela sabedoria popular “Ano novo, vida nova” e de facto muitas vezes assim o é.

Algumas pessoas aproveitam o pretexto da passagem de Ano para resolver agir de forma diferente, adoptar novos comportamentos e registar valores um pouco diferentes dos habituais padrões (há quem lhe chame crescimento, evolução entre outras coisas…).

Pois bem, mas em 2010 de acordo com os anúncios jornalísticos prevê-se um ano de estabilização no pós-crise económica, sendo que alguns dos bens essenciais não irão aumentar de preço.

Mas porque razão a luz, aquele simples carregar de botão que transforma a noite em dia se tornará 3% mais cara?

Talvez consigam reduzir a factura da produção se houver um acréscimo nas energias renováveis, ou quem sabe se houver de facto um mercado energético livre e não dependente em (grande parte) exclusivo do petróleo como matéria-prima.

Acreditem que seja com Quioto, com Copenhaga (O recente COP15) ou com qualquer outro documento político de facto as mudanças serão ténues e sujeitas às forças dos lobbies, negociadas de forma a agradar a gregos e troianos.

O melhor cavalo de Tróia para 2010 passa pela diminuição da factura energética, seja pela redução da procura ou simplesmente pela melhoria da eficiência. Alguns investimentos são possíveis, mas de facto quais interessam a um mercado energético que procura desesperadamente sair da crise?

Estaremos nós, novamente, perante uma retoma especulativa? Ou será apenas uma forma de dizer “Ano novo, vida nova”?