Começou já o debate do Orçamento de Estado, aparentemente focado nas temáticas incortonáveis da redução do défice nacional, produção e investimento português. Seja por força do populismo ou pela situação de crise que vai passando pela sociedade portuguesa.
Incontornável pela situação de um governo minoritário, apostado em criar condições de governabilidade estável através de algumas cedências com os demais parceiros parlamentares (restando saber até que ponto serão estas cedências pilares estruturais).
Os primeiros a entrar na corrida foram curiosamente a oposição directa, sendo de acordo com os dados avançados pela comunicação social combinado à partida um encontro ao melhor estilo AD entre PSD e PS.
José Sócrates a precisar do apoio do maior partido da oposição, comprovando que num tempo de instabilidade muitas vezes a solução poderá vir precisamente de onde menos esperamos. Mas não podemos esquecer que Manuela poderá estar de saída.
É certo que os professor se auto-excluiu da corrida na sucessão de Ferreira Leite, surgindo a “Jotaliade” (leia-se Jovialidade) de Coelho já na segunda tentativa de escalar a máquina daquele que neste momento é o maior partido da oposição (o que terá como objectivo desafiar a liderança de Sócrates, colocar em causa as suas opções estratégicas e/ ou a fazer as principais cedências em troca da viabilização orçamental).
Ainda se perfilam os líderes parlamentares do PSD, Rangel que divide o seu tempo entre Estrasburgo, Bruxelas e Potugal e Aguiar-Branco que gere a bancada e as negociações legislativas na Capital Alfacinha.
Não posso pois deixar de observar a calma e tenacidade que apresenta Santa Lopes, feito Dom Sebastião e recentemente condecorado por Cavaco Silva pelos feitos governativos (ou efeitos do protocolo de estado com cerca de 5 anos de atraso), indiciando um efeito semelhante ao característico Sebastianismo Português.
Curioso é que nas negociações orçamentais os democratas-cristãos tenham conseguido afirmar assertivamente as características fundamentais e indispensáveis para darem o seu apoio a qualquer proposta Orçamental.
É verdade que com tanta negociação preve-se um primeiro trimestre confuso no seio da administração pública, seguindo procedimentos correntes de gestão das tesourarias e continuidade dos planos de acção que ainda lhes sobre do ano que deveria ter terminado mais cedo (por força dos processos eleitorais que assolaram o último semestre de 2009).
Mas aquele que pecará por ser um invariál atraso Orçamental, traz ainda assim um ponto forte em tempos (que se esperam) de esperança na retoma económica - a discussão esclarecida e (esperemos que) construtiva do futuro deste nosso Portugal à Beira-mar plantado.
Resta conhecer o caminho a percorrer, apontando-se algum ainda diálogo à esquerda para não terem de se sujeitar em exclusivo a acordos parlamentares no período pós-orçamental apenas com a direita e o centro-direita. Não esquecendo que os parceiros sociais por força do seu papel serão também preponderantes nestas definições.
Resta-nos ir vendo de que forma poderá ser construída esta anunciada e desejada retoma e a garantia de um futuro melhor.