Vivendo a crise…Mas como?

É verdade que a crise tem sido desculpa para todo o tipo de conversas, das mais descontraídas no café até aos debates parlamentares sobre o memorando da troika…mas e quando as palavras passam a ser acções?

Tive a oportunidade de viver três dias diferentes, de sábado a segunda, enquanto uns preparavam os festejos de Carnaval resolvi ir com o meu agrupamento de escuteiros para mais um acampamento. Um grupo com gente entre os 6 anos e os 38, vivendo estes dias com o espírito do tema “Brownsea hoje”

O sítio era novo para todos nós, pertinho de Lisboa (apenas 15 Km) e ainda mais perto de habitações de luxo (não fosse o campo dentro do Belas Clube de Campo).

Curiosa a localização, mas importante ver que dividimos um grupo de 48 pessoas em 6 parcelas de terreno, pouco maiores do que um quintal de uma pequena moradia (acho que em m2 seriam mais ou menos uns 100, mas sou mal a calcular áreas).

Num espaço de mais ou menos 5 horas uniram paus através de cordas de cisal, esticaram panos de tenda em forma de toldo e usaram tendas que não se montam em 3 segundos para construir a sua casa. Era preciso cozinhar, com todo o cuidado para não causar nenhum dano sobre a mata que nos acolhia, logo a construção de fogueiras elevadas com todas as precauções de segurança foi um ponto crítico a garantir – se queriam comer.

Pasme-se com as novidades: Água canalizada a 1,5 Km de distância e casas de banho com um conceito diferente do habitual. Se no início tudo se estranhava, logo depois a ideia entranhava-se à medida em que a novidade passava a ser realidade.

Mas como é possível que uma patrulha de 7 a 8 elementos, habituados à vida citadina de Lisboa, com idades entre os 6 e os 22 anos, sobrevivam a uma experiência destas?

Nem todos os dias nos lembramos o que verdadeiramente custa a vida, do esforço que muitas vezes substituímos por uma quantia de €uros de forma a facilitar-nos a vida ou sequer poupamos para os tempos em que possam existir menos recursos.

A crise económica pode continuar a pairar entre nós, aqueles que vivemos no mundo dos crescidos, que nos agonizamos sem um subsídio de férias ou de Natal, que percorremos o caminho de aumentos de taxas de imposto sobre o que recebemos. Mas é importante que algures no processo de vida possamos mostrar aos jovens aquilo que é indispensável, que lhes digamos que devem saber escolher aquilo que lhes é essencial e aos poucos mudemos o mundo com esta gente.

Se nos centrarmos apenas em negociar o valor do dinheiro que nos entrará nos cofres do estado, o valor dos juros de empréstimos bancários e nunca ensinarmos os mais novos a fazerem uma gestão racional dos bens que têm à sua disposição estaremos a falhar enquanto sociedade e lançaremos cada comunidade numa espiral de destruição.

Esse pode ser um ciclo de destruição da solidariedade e coesão, uma via fácil de nos valorizarmos enquanto indivíduos é sem dúvida esquecermos dos outros e sermos indivíduos. Mas o Mundo precisa de pessoas que vivam e sintam, que se relacionem com os outros e que possam ajudar a construir a realidade partilhada por todos.

Vivamos certos que nos tempos de crise aprendemos várias lições, a maioria delas fica-nos e serve-nos para a vida!

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Sobre Pedro Henrique Aparício

Sediado em Lisboa, Ergonomista, aventura, escutismo, música entre outras ideias soltas, pensamentos esvoaçam na vida. Cidadão do Mundo!
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One Response to Vivendo a crise…Mas como?

  1. Bobby Furtado disse:

    Como diz uma certa música…
    “Reduz as necessidades se queres passar bem” … porquê???
    “…a dependência é uma besta e dá cabo do desejo e a liberdade é uma maluca que sabe quanto vale um beijo!”

    Abraço