Amigos e Amigas;
O nosso Portugal moderno, Europeu e do século XXI (e demais chavões) não é um país para jovens!
Pecamos gravemente na construção social de um país sustentável e sustentado, consumimos mais do que produzimos e alimentamo-nos de restos. Se à primeira leitura chocará algumas mentes mais formatadas com discursos politicamente corretos permitam-me que esclareça estas questões.
A sustentabilidade é definida na sua visão originária na redução dos consumos e dos impatos das atividades dos indivíduos, na preservação do meio ambiente e na garantia da laboração dos vários setores de atividade. Um conceito antigo, por força da evolução social, centra-se nos dias de hoje nos eixos financeiros, ambiental e social – pelo menos assim definem os modelos de relatórios de sustentabilidade.
Ora se consumimos os recursos ambientais das próximas gerações e temos uma dívida acima do Produto Interno Bruto (PIB) será obviamente difícil esperar que consigamos construir uma visão de longo alcance no futuro do país. Associa-se aqui a noção do recurso escasso e esse, por força das alterações de estilos de vida e hábitos sociais, pode ser visto como juventude. Portugal tende a integrar-se perfeitamente no conceito da “Velha Europa”, onde a renovação social é algo que tende a esgotar-se no tempo por falta de iniciativa que promova a natalidade.
Vivemos numa fase de travessia do deserto e corremos o risco, uma vez mais, de olharmos o problema deste momento menos bom do ciclo económico e dar-lhe um paliativo – até que venham outros e resolvam o problema. A lógica governativa, infelizmente, está pojada de soluções de curto prazo e com duração limitada ao invés de procurarmos resolver os problemas na origem. Com uma população maioritariamente sobrendividada, com elevadas taxas devoluções de bens às instituições de crédito por incumprimento de pagamentos e com uma redução da força de trabalho considerável por força do aumento do desemprego como podemos ponderar uma solução para isto?
Aliado aos problemas das pessoas existe ainda o problema do país e do Estado, onde o Produto Interno Bruto é manifestamente inferior às notas de crédito vendidas a terceiros que nos limita e muito a credibilidade nacional e a possibilidade de sermos parceiros credíveis.
A “Velha Europa” precisa refrescar-se, procurar dar novos espaços a uma nova cultura de cidadania e promover o diálogo intergeracional na sua plenitude – pois de nada adianta consagrar 2012 como Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e do Diálogo Intergeracional se não fizermos acontecer esta partilha solidária entre gerações. Partilha de conhecimentos, experiências, mas também de promoção do desenvolvimento económico e dos valores sociais que tendem a escassear.
Se Portugal quer ser um país competitivo, inovador e empreendedor, precisa atribuir um estímulo à produção de riqueza – por favor não falem apenas da riqueza material e de €’s – onde estão as futuras gerações? onde encontramos as visões de longo prazo?
Preocupa-me o papel que a garantia da liberdade individual, dos direitos dos indivíduos e outras temáticas na moda nos limitem enquanto país e não nos permitam ter uma liberdade de ser um país. Que vivamos ainda agrilhoados às memórias do Estado Novo e que condenemos ferozmente atrocidades nos outros pontos do globo.
Esquecemo-nos que a luta contra a pobreza não se centra apenas no aumento de subsídios e na atribuição de verbas, centra-se no repensar dos valores de economia social e familiar, na opção pela partilha de responsabilidades e no rejuvenescimento da sociedade. De nada nos adianta combatermos os 34,5% de desemprego jovem, com especialistas importados, se no futuro próximo não teremos jovens em Portugal.
Precisamos tocar uma música numa escala de Ré – redescobrir, repensar, resconstruir, relançar e realizar Portugal.
Prometo continuar com ideias soltas, qualquer dia tenho de as concretizar.












Posso concordar em traços gerais com o texto e entendo a problemática que lhe está associada, mas sinceramente não entendi bem o que queres dizer com este parágrafo: “Preocupa-me o papel que a garantia da liberdade individual, dos direitos dos indivíduos e outras temáticas na moda nos limitem enquanto país e não nos permitam ter uma liberdade de ser um país. Que vivamos ainda agrilhoados às memórias do Estado Novo e que condenemos ferozmente atrocidades nos outros pontos do globo.” Podes/Queres aprofundar um pouco?
Olá Joâo:
Com todo o gosto deixarei um aprofundamento nesse polémico (e provocador) parágrafo.
Como deves calcular não sou favorável a que todos os meios justifiquem os fins, mas prometo aprofundar isso mais à frente.
Obrigado pela leitura.